quarta-feira, 4 de julho de 2012

O Jardim Encantado da Fantasia




         No próximo sábado, dia 7 de Julho, o Jardim do Calvário, a partir das 15 horas, será palco de momentos mágicos e únicos. O encanto das estátuas vivas, a música, as canções mais famosas da Disney e muitas personagens repletas de encanto transformarão este espaço emblemático de Fafe num verdadeiro livro infantil, repleto de moralidade e coisas bem doces. A Branca de Neve, os 7 Anões, a Menina do Lago, a Fada da Música, o Príncipe, o Caçador, o Contador de Histórias e os Cisnes do Lago, entre outras figuras, estarão à espera de todas crianças e de todos os adultos, aqueles que ainda acreditam em fadas e príncipes encantados, para uma tarde inesquecível.



« (…)Se a terrível maldição da Bruxa má, que transformou em pedra todos ao habitantes do Jardim Mágico da Fantasia, não for quebrada até ao final da tarde do primeiro sábado de Julho do ano que está a decorrer, todas as personagens mágicas dos livros para crianças desaparecerão para sempre e os belos Cisnes do Lago nunca mais verão a luz do sol.

Será o fim do Jardim Mágico da Fantasia. (…)»



Vem e torna-te numa das personagens da história que o velho contador vai narrar.

 Vem e ajuda a salvar os Cisnes do Lago e o Jardim Mágico da Fantasia da terrível maldição de uma Bruxa malvada.





Programa:



    -15 horas: Estátuas vivas, magia e música;

    -16 horas: Recriação e encenação musical da história encantada: «Os Cisnes do Lago» de Carlos Afonso



Organização: Naturfafe, CRL

Participação: Agrupamento de Escolas de Calendário;
                        Escola Profissional CIOR;
                        Professor Carlos Afonso e os seus alunos;
                        Professora Carla Lopes e Escola de Música José Atalaya


domingo, 1 de julho de 2012

O rouxinol do rio Ferro


      

            O nosso povo diz com toda a sabedoria de que é detentor que os múltiplos momentos que se deparam aos olhos de uma comunidade, seja ela mais provinciana ou não, nunca têm o mesmo entendimento. Cada pessoa os interpreta consoante o seu ponto de vista e, por vezes, conforme as suas necessidades. É a partir desta constatação inicial que quero apresentar nesta minha crónica uma história quase real, alindada apenas por um fio ficcional bem da cor da imaginação

            O final da tarde do dia 25 de Junho convidou-me como que instintivamente a dar um passeio, não admira, por isso, que tenha pegado na minha determinação e desse uma volta pelas margens do Rio Ferro, ali bem perto de minha casa. Apetecia-me escutar o correr das águas, sentir a frescura das árvores e, quem sabe, encontrar um velho amigo que costumava visitar o meu quintal, mas que já há três dias havia desaparecido. Ele esvoaçara de certeza para o seu sítio, e que eu o procurava agora, para lá buscar o meu outro destino. Estou a falar do rouxinol do rio Ferro.  

Desde os primeiros dias de Março último e até a alguns dias atrás que a minha existência teve a curiosa circunstância de contar com a presença de um rouxinol. De facto, aquele passeio em Março pelas margens do Ferro, altura em que dei pela sua presença, num ramo florido de uma macieira, e que de imediato me fascinou e também, digamos assim, me intrigou, um sentido diferente tem tomado conta dos meus desígnios. A sua melodia era única e soava a nostalgia, até parecia que o seu canto era detentor de uma mensagem qualquer e que estava a ser lançada de propósito aos meus ouvidos. Não sei porquê, mas na altura lembrei-me de Almeida Garrett e de Bernardim Ribeiro e do sentido que a avezinha tinha no contexto das suas narrativas. Na verdade, tanto Joaninha de Viagens na Minha Terra como a menina de Menina e Moça tinham uma interligação especial com o rouxinol.

Depois do longo tempo em que estive a admirar os encantos da avezinha, reparei que a seu canto era quase infinito. Mas a dada altura começou a decrescer até que se calou. Olhei bem na direção onde estava pousada, mas apenas notei que a noite já se apoderara do horizonte. Algo entristecido, voltei para casa e não confidenciei a ninguém o sucedido. Apenas se me apegava à ideia de que no dia seguinte voltaria ao mesmo sítio onde encontrara o rouxinol.

Como prometera a mim próprio, no final da tarde do dia seguinte voltei lá, mas do rouxinol, nem um sinal. Apenas o rio, a brisa a esbarrar na folhagem e o chilrear da outra passarada que não despertava a atenção dos meus sentidos. Meio desanimado, sentei-me numa pedra meia suja que para ali estava e deixei-me levar pelo pensamento. Quando voltei a mim, dei um último olhar pelo quadro que a minha vista alcançava, limpei alguma sujidade que se me agarrar às calças e regressei. Quando estava a chegar a casa, reparei que uma rapariga estava a tocar à campainha. Apressei o passo, pois pensava que era alguma aluna que queria falar comigo, mas não. Eu não a conhecia. O que quereria ela?

 Era apenas uma bela rapariga de cabelos castanhos e com uns olhos da mesma cor. A sua postura pareceu-me, na ocasião, um pouco inquieta e, quando reparei no seu sorriso momentâneo, afigurou-se-me nele uma mágoa qualquer. Pelos vistos, e segundo me explicou, ela apenas estava ali porque me queria entregar uma carta, uma vez que o carteiro, inadvertidamente, a deixara em sua casa. Agradeci o gesto e despedimo-nos.

Depois do acontecido, e mal a rapariga se pagara na distância, senti um esvoaçar de ave a roçar-me a cabeça, para logo de seguida escutar um cantar de rouxinol, igualzinho ao que ouvira junto ao rio, vindo bem do centro do meu quintal. Sem mais, corri para o escutar e… Que surpresa!... Lá estava ele em cima da pereira, numa postura digna e sentida. Enquanto não chegou a noite e ele se calou, não arredei pé dali.

Várias dias passaram, e todos os finais de tarde, quer estivesse chuva ou sol, o rouxinol ali voltava para mostrar a sua voz afinada e melodiosa. E eu, sempre que tinha disponibilidade, ali estava para o ouvir.

No 23 de Junho último, dia de São João na Fábrica do Ferro, durante a tarde, fui ver a cascata que se localizava bem perto da Sede dos Leões do Ferro. E como já é seu hábito, ela estava maravilhosa e sempre com vistas inovadoras. De facto, as mãos que a tecem são de eleição. Espero que assim continue para gáudio do bairro e de Fafe. Ora bem, estava eu a olhar para a cascata, quando me apercebo de uma rapariga que caminhava na minha direção. De imediato a reconheci. Era a mesma que me tinha trazido a carta. Apenas trazia roupa diferente. Com surpresa, fiz um leve esforço para me afastar, não me sentia de feição para falar com ela. Se calhar era medo. Apercebendo-se do meu jeito, ela apressou o passo, estendeu a mão direita e pegou na minha. De seguida, afagou-me com carinho e sorriu. Ainda meio atrapalhado, encostei-me um pouco à sua postura, que me pareceu especial, retribui com um cumprimento nervoso e escutei o que me confidenciava:

- Desculpe, mas está na hora de o meu rouxinol regressar. Para o tornar a ouvir e finalmente perceber o seu verdadeiro cantar, terá de ser o Carlos a deslocar-se ao sítio exato onde ele sempre morou. Na tarde em que isso acontecer, eu também lá estarei para lhe dizer o meu nome, entregar-lhe uma outra carta e mostrar-lhe o seu outro destino. A propósito, o que dizia a carta que lhe entreguei na primeira vez que nos vimos?

            Sem conseguir responder ou dizer o que quer que fosse, só tive tempo de receber um pequeno beijo que a rapariga me pousou rosto e notar um perfume a rosas que me aquietou.

Quanto ao rouxinol do rio, desde que estivera com a rapariga junto à cascata, nunca mais o vi ou ouvi. Ele foi mesmo embora para o seu sítio.

            A propósito, eu nunca li a carta que ela me trouxera naquela tarde. Lembro-me apenas de a ter pousado no vaso junta à porta de casa e nunca mais a vi. O que será que ela dizia? Será que o meu destino estaria lá gravado? E agora?

Em breve o saberei, quando for à procura do verdadeiro sítio onde sempre morou o rouxinol do rio.



                                                                       Carlos Afonso

           

sábado, 23 de junho de 2012

O homem que veio de Fafe





(Dedico esta história à ATRIUMEMÓRIA e ao seu principal obreiro, Jesus Martinho, no primeiro aniversário desta associação, para homenagear o incessante e profícuo trabalho que tem sido feito em prol do património fafense)



            Num ancestral carvalhal, bem nas profundezas das terras de Montelongo, existia uma antiquíssima pedra, quase totalmente escondida do olhar dos homens. Apenas um velho pastor lhe emprestava, de vez em quando, a sua atenção, quando por ali passava à procura das suas memórias, e nela se sentava a tocar a sua flauta. Bem encostada às faces carcomidas desta pedra, apenas musgos seculares lhe favoreciam a sua função de assento.

Por muito que o povo dissesse que, noutras eras, tinha andado por ali um grande rei mouro com o seu exército, e que por ali havia construído um forte castelo, onde escondera um vasto tesouro, nunca ninguém, à exceção do velho pastor, procurara quaisquer indícios. Apenas aquele velho pastor olhava para aquela pedra com respeito e com a certeza de que ela era a guardiã de um passado grandioso. Mesmo que de vez em quando ele partilhasse as suas conclusões com as gentes que habitavam aquelas redondezas, nunca ninguém lhe dera ouvidos, bem pelo contrário. Limitavam-se a olhar friamente a pedra, sorriam em tom de desdém, ignoravam-no e seguiam os seus destinos. O pobre velho nunca foi levado a sério e até começou a ser chamado como o louco da pedra. Sozinho com as suas lembranças, limitava-se a andar por ali na companhia da sua flauta e dos seus segredos.

Numa tarde de calor, num daqueles verões tórridos que também acontecem no Minho, o velho pastor regressara ao seu lugar de eleição e sentara-se, como muitas vezes o fazia, à sombra dos carvalhos, na tal pedra, tocando a sua flauta. A dada altura, e como que o velho o esperasse, apareceu à sua frente um homem alto, vestido de escuro e vinha dos lados de Fafe. Pela convicção que derivava do seu andar, dava para concluir que ele vinha tomado de um sonho bem definido. Como ouvira falar da tal lenda do castelo dos mouros, e porque acredita nos sinais do povo, trouxe o seu espírito observador e sábio, a sua máquina fotográfica e veio na demanda de mais uma possível riqueza patrimonial. É evidente que este homem da cidade, um homem para quem o tempo é um guardador de tesouros à espera de serem descobertos, se agradou da originalidade do quadro que se deparava aos seus olhos e ouvidos.

A música que derivava da flauta parecia-lhe divina. O velho que a tocava lembrava-lhe um deus maior. A pedra onde este se sentava tinha, no seu entender, os requisitos de uma torre de um forte castelo. Perante este cenário tão especial, o procurador de memórias, vamos chamar-lhe assim em homenagem à sua importantíssima acção em favor da cultura do seu povo, encantou-se com esta sua descoberta. Como era de prever, e numa atitude completamente diferente de todas as outras pessoas que ignoraram a pedra e o tocador de flauta, este homem que veio da cidade, sentou-se ao lado do velho e escutou com toda a atenção do mundo os segredos que ele lhe contava. O pastor estava satisfeito, pois soube reconhecer no seu interlocutor a verdade das suas intenções. Por isso, contou-lhe tudo o que sabia e o que imaginava. Finalmente, ele encontrara um homem que sabia escutar.

Algumas horas passaram e só a noite os separou. Mas, e antes de seguirem os seus caminhos, marcaram um novo encontro, para ali mesmo, junto à pedra, para a manhã seguinte. No céu, as estrelas mais apressadas fizeram-se notar, e o canto de um melro perdeu-se na aragem.

A manhã acordara bela e repleta de sol. A passarada enchia de movimento e melodia todo o carvalhal e o homem que veio de Fafe foi o primeiro a chegar. Sentou-se na antiquíssima pedra e esperou, esperou… mas o velho pastor nunca mais chegava. Passaram algumas horas e nada. Sem perder o ânimo, e como o seu recente amigo estava a demorar, achou por bem reparar com mais força na antiquíssima pedra e continuar a esperar. Ao de leve, levantou-se, começou a acariciá-la com as suas mãos curiosas e atentas. Numa visão mágica, notou em algo de extraordinário. Sem pressa, limpou com cuidado o musgo que cobria a pedra e viu com os olhos que Deus lhe dera um aglomerado de palavras gravadas em toda a sua dimensão da mesma. Animado com o que descobrira, tentou decifrá-las, mas sentiu dificuldade. Só mais tarde é que conseguirá compreender o real sentido de tão feliz achado e que aqui reproduzimos, desde já: ”O maior tesouro de um povo são as suas memórias”.

Sem parar, e como o velho pastor ainda não dera sina de vida, o homem de escuro vestido e que veio da cidade, pegou mais uma vez na sua persistência e no seu gosto por tudo o que cheira a passado e património e começou a limpar em redor da pedra, e o que achava a cada momento mais o encantava e desafiava. Um mundo maravilhoso começou a crescer à sua volta e o seu coração a crescer na direção do céu.

 Afinal, o tão falado castelo dos mouros sempre existia e o dito tesouro também. Dos lados do poente um som fascinante de flauta fez-se escutar e o homem vindo de Fafe sorriu.  

                                                          **

(Nota: Caros leitores, afinal o Castelo dos Mouros sempre ali estivera, no meio daquele frondoso carvalhal, o problema, e tal como acontece ainda hoje por estas terras de Montelongo, os comuns mortais nem sempre sabem olhar os indícios que se passeiam à sua frente. Infelizmente, a névoa que lhes tolhe o entendimento nem sempre os deixa escutar os sinais, ou sentir a fala das pedras, ou perceber os desenhos dos montes e até nem os deixa compreender as verdadeiras histórias do nosso povo. Para salvar o nosso património, meus amigos, é preciso estar atento e ter as mãos e a mente lúcidas e argutas, tal como o homem que veio de Fafe.)



Carlos Afonso

sábado, 9 de junho de 2012

É a Hora!...


















Nasci num país repleto de sonhos de mar,

Gerados em almas da cor das manhãs

E presos à imensidade exacta dos séculos…



(Ai… se as aves me emprestassem o seu esvoaçar sem fim

E a cor verde da esperança me cobrisse com o seu manto,

Tecido por mãos que fizeram os muros inquebráveis da história!)



Escutem!... Parece que ouvi gritos ávidos de risos e estrelas…

Será a voz do vento a bater nas velas claras das caravelas?



Não. Os caminhos percorridos por espíritos destruidores de medos

E de névoas sem rosto

Não rompem os portais do tempo…

Só a teimosia dos quereres, iguais aos de Vieira, Pessoa e Camões,

Podem acordar os fazedores da história

E apunhalarem a mesquinhez deste agora sem luz,

Estampado nos nossos olhos parados,

Avivando, de novo, a chama que jaz fria dentro dos corações.



Basta. A noite não pode continuar a crestar o brilho das madrugadas,

Indiferente a um passado repleto de heróis…



Ó Infante sem medo, ó Gama imortal, ó Pedro Álvares Cabral,

Não deixeis roubar as raízes pátrias que engrandecestes…

Firmes como a vontade que vos ata ao leme,

Erguei de novo a espada do império

E apontai no mapa que já foi nosso

O rosto de um novo Portugal

Que é urgente achar.



É a Hora!...





Carlos Afonso

domingo, 3 de junho de 2012

Histórias de Fafe: «A Carta»




Há dois meses atrás, tive a felicidade de encontrar num dos espaços mais emblemáticos de Fafe, o Club Fafense, um casal muito simpático que me fez algumas confidências e me alertou para um ou outro pormenor que tecem as raízes culturais e históricas de Fafe. Curioso em entender o que me era narrado, prestei toda a atenção que se exigia e valeu a pena. A dada altura da nossa conversa, escutei da boca da Dona Maria Luísa Guimarães, a esposa, algo que me empolgou. Ela era detentora de uma carta original do escritor Camilo Castelo Branco, carta esta que tinha sido dirigida ao seu bisavô, o Comendador Albino de Oliveira Guimarães, um dos brasileiros mais influentes de Fafe, no Séc. XIX.

Alguns dias passaram após o nosso primeiro encontro. Numa outra noite no Club Fafense, o simpático casal facultou-me a dita carta de Camilo, facto que me fascinou. Na verdade, o conteúdo da missiva era de uma riqueza e emotividade inigualáveis, todo ele centrado em José Cardoso Vieira de Castro, outro fafense de referência. A partir daqui, e porque me foi dada permissão para isso, imediatamente pensei em organizar um sarau cultural ali mesmo co Club, para partilhar com os que assim o desejassem as palavras do escritor. Do sonho à realidade passaram apenas dois meses, e dia 1 de Junho, dia em que se comemorava mais um aniversário da morte de Camilo Castelo Branco, um agradável evento cultural fartou de prazer todos os que a ele assistiram, e a quem agradeço a presença.

Num entrelaçado de música, pintura, poesia, o desvendar do conteúdo da dita missiva dirigida ao Sr. Comendador e uma feliz recriação histórica, a que uma frutuosa tertúlia centrada na carta em geral se associou, o Club Fafense encheu-se para viver um momento único. A exposição “Caminhos de Camilo”, gentilmente cedida pela Direção da Escola Secundária de Fafe, e a quem agradeço profundamente, veio a enriquecer ainda mais o momento.

Para este evento, contei com a preciosa ajuda do meu amigo e colega Paulo Teixeira, que comigo partilhou a organização. Sem o seu saber e engenho nada teria sido possível. Também contámos como a colaboração de outros amigos, também ela imprescindível, e a quem agradecemos vivamente: Dr. Artur Coimbra; João Manuel Marques; Sr. Francisco; João Castro; Nelo Lobo (que encarnou magnificamente a figura de Camilo); Sr. Acácio Almeida; Padre Lopes; os professores António Teixeira, José Augusto Gonçalves e Augusto Lemos; AtriuMemória; Jesus Martinho, na parte técnica e fotografia; Prof. J.J. Silva, pela sua orientação e material cedido; o pintor Filipe Sampaio, que teve a amabilidade de partilhar, com todos os presentes, uma das suas belas telas centrada em Camões e onde um excerto da carta de Camilo foi inserido; os jovens músicos Teresa Marinho (violino), Eduardo Teixeira, Alex Fernandes, Simão Silva e Pedro Marques (Saxofone), que foram excelentes no seu desempenho; Dr. Ribeiro, pelo material cedido; o meu aluno Pedro e todos os que participaram na tertúlia. Também aos responsáveis pelo Club Fafense aqui deixamos o nosso obrigado por nos darem permissão para tao solene ato. À Dona Maria Luísa e ao seu marido, agradecemos do fundo do coração a sua amabilidade. Penso que não me esqueci de ninguém. Se isso aconteceu, peço desculpa.

Fafe é uma terra rica em história e cultura, facto que deixa todos os fafenses satisfeitos. Espero, com a ajuda de todos os amigos, continuar a organizar, no Club Fafense ou em outros espaços, encontros e momentos culturais que contribuam para o engrandecer da nossa terra.



Carlos Afonso

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Fafe nos caminhos de Aquilino Ribeiro



No passado dia 26 de março, sábado, meia centena de fafenses rumou a terras beirãs, as terras de Aquilino Ribeiro, em busca de paisagens, história, gentes, gastronomia e a vida e obra do grande escritor português do Séc. XX. Movidos pela força da aventura, descoberta e cultura, este grupo de amigos viveu intensamente todo o percurso, usufruindo das muitas belezas que se lhe depararam pela frente.

O escritor Aquilino Ribeiro (1885-1963), infelizmente hoje quase ignorado, é autor de grandes obras, como O Malhadinhas, Cinco Reis de Gente, Andam Faunos pelos Bosques, A Via Sinuosa, Jardim das Tormentas, A Casa Grande de Romarigães, Quando os Lobos Uivam, As terras do Demo, O romance da raposa, entre muitas outras. Assim sendo, esta iniciática cultural tinha como objetivo maior conhecer com mais certezas e melhor Aquilino Ribeiro, a partir dos espaços que serviram de pano de fundo à sua existência e à sua ficção.

Regionalista e resistente convicto, este grande escritor do Séc. XX mostrou nos seus escritos as suas vontades e a defesa de toda uma região condenada ao abandono e ao sofrimento: as terras do demo. Carregal, a Senhora da Lapa e Sernancelhe, sítios localizados no distrito de Viseu e partes integrantes do mundo aquiliano, mostraram-se aos caminheiros fafenses de uma forma simpática e digna, ajudados pelo tempo solarengo e pelo saber dos guias da visita, gentilmente disponibilizados pela Câmara Municipal de Sernancelhe.

No Carregal visitou-se a casa onde nasceu Aquilino Ribeiro. Na Senhora da Lapa visitou-se o Santuário de Nossa Senhora da Lapa (séc. XVI-XVII) e o Colégio anexo, onde Aquilino estudou, prosseguindo depois o roteiro pelo pelourinho e o Museu do Santuário. Após o almoço típico, com cabrito assado, cozido à terras do demo e trutas à moda de Aquilino, e já em Sernancelhe, a comitiva fafense participou na conferência “Cinco Reis de Gente – a infância no Carregal”, orientada pelo Sr. Dr. Paulo Neto. No final da tarde, a bela Igreja Românica de Sernancelhe do século XII e o museu de arte sacra Cândido Azevedo abriram as portas e mostraram toda a sua riqueza artística e religiosa.

Este passeio cultural, a que se associou o Núcleo de Artes e Letras de Fafe (NALF), decorreu de uma forma exemplar. No próximo ano, a saga cultural continua em redor da vida e obra de outro grande escritor português.

Carlos Afonso

domingo, 6 de maio de 2012

Mãe

    

Mãe,
As nuvens ainda são feitas de algodão?
Olha, olha aquela…
 Parece o cordeirinho do presépio!
Como é bom
Ver-te florir no amanhecer deste poema
E sentir a minha alma
Mergulhar no perfume do teu corpo!
Olha, agora que estás comigo,
Deixa sentar-me no colo!
Acaricia-me com o teu carinho!
Conta-me uma história!

Mãe,
Tenho sono!
Posso encostar a minha cabeça cansada
Ao calor do teu amor?
Obrigado!

Mãe,
Já acordei.
Os teus olhos continuam lindos!
As tuas mãos permanecem afáveis!
O teu sorriso esparge a mesma luz
Que guiou os meus primeiros passos!

Mãe,
Por favor, não chores!
Eu ainda sou o teu menino!
Olha, segura na minha mão e brinca comigo!
Cuidado! …

Mãe
 Eu sei que as distâncias nos escondem as faces
E o empedrado do tempo faz colher incertezas!
Mas, o meu coração rima com o teu. 
A seiva que me move nasceu do teu ventre!
Olha, lá está a estrelinha que guiou os reis magos …

Mãe,
Tenho fome...
Carlos Afonso